Esse cara construiu um motor gráfico de mundo aberto para o N64 e...
Esse cara construiu um motor gráfico de mundo aberto para o N64 e me fez pensar nas limitações das nossas cabeças de minhoca
Eu construí um motor de mundo aberto personalizado para o N64. Neste vídeo, explico como consegui criar um mundo enorme e contínuo, sem telas de carregamento no hardware do N64.
James Lambert construiu um motor gráfico de mundo aberto para o N64 com distância de renderização comparável à de jogos modernos, resolvendo as limitações de hardware da plataforma. Sua solução foi renderizar o mundo duas vezes: uma em escala reduzida para objetos distantes, e outra normal para objetos próximos.
Quanto menos poder computacional você tem, mais criativo precisa ser.
E quanto menos criatividade você pode/precisa exercer na indústria, menos poder computacional parece ser necessário para impressionar.
As limitações de hardware que impulsionam tais otimizações parecem uma história alternativa onde a tecnologia desacelerou e a arte da programação teve tempo para florescer de verdade.
Esse comentário me pegou de um jeito.
Acho que é porque não é somente os videogames do passado que são limitados em hardware, nossas cabeças também.
Nossas cabeças adoecidas cada vez mais limitadas, com menos capacidade de memória, retenção e atenção.
Enquanto isso, os videogames modernos encarecem conforme o tempo passa, em vez de baratearem como costumava ser as gerações anteriores. Para entregar jogos caríssimos, produções imensas, mas que não necessariamente entregam o mesmo nível de diversão de jogos independentes.
E o volume só vai aumentando, e aumentando e aumentando... Como em todas as indústrias de entretenimento. Como o cinema.
Se a indústria cinematográfica parasse de produzir novos filmes, tranquilamente poderíamos passar o restante de nossas vidas vendo bons filmes criados no último século. Morreremos sem ter visto uma caralhada de filmes fodas.
Talvez, passar o restante da vida vendo filmes do passado seja melhor do que acompanhar as produções Netflix pensadas para as cabeças de minhocas que precisam o tempo todo serem lembradas qual a história está sendo contada.
Talvez, passar o restante da vida jogando games antigos ou games atuais pensados para superar as limitações técnicas do passado seja melhor do que acompanhar as novidades.
Talvez, a linha do tempo onde a tecnologia desacelera e a arte floresce não precise ser uma história alternativa.
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