achei que fosse demorar mais
Tive uma notícia ruim. Não era bem uma notícia, para falar a verdade. Apenas uma informação importante que chegou atrasada. Não gostei. Me senti triste, embora eu tenha demorado alguns minutos para me perceber assim. Antes, fiquei irritado, mal-humorado e impaciente com o descaso. Achei melhor parar para meditar sobre o assunto e percebi que queria chorar. Aquele choro seco de quem perdeu as lágrimas. Falei em voz alta o que aconteceu, como eu me sentia e o meu plano a respeito. Levantei e voltei às minhas coisas.
Minha decisão pode não ter sido boa, pois talvez eu tenha me colocado numa situação vulnerável para outros acontecimentos me machucarem tanto quanto. E foi o que aconteceu. No meu aniversário, antes de ontem, houve outra situação em que me senti desrespeitado, novamente houve descaso comigo. Como eu já estava abalado, com a cabeça mais pra lá do que pra cá, o choque que senti foi certeiro.
Sei exatamente o momento, o gatilho e os traumas relacionados que me levariam a entrar numa crise mental. Tenho plena consciência de como isso costumava me afetar em suas inúmeras particularidades, de tanto que passei os meus 20 e tantos anos tentando entender o que se passava na minha cabeça para ela funcionar de forma doentia. Há 2 anos e sete meses não me sentia assim, não estava disposto a ser derrotado agora. Estava certo de que um pouco de descanso e uma prática de meditação cortariam o ciclo.
Acabei descobrindo que algumas das meditações regulares que ando fazendo não podem ser realizadas nesse estado em que me encontrava. Piorei, passei a madrugada em claro. Ontem, recebi as instruções de uma prática mais leve, que não prejudicariam meu quadro. Funcionou, mas também queria um boldo aqui comigo, alecrim e manjericão.
Difícil me ver nessa situação depois desses anos. Não vou negar que já esperava passar por algo assim novamente, só imaginei que fosse demorar mais. Vacilei também ao ter feito uma prática de meditação avançada sem me ligar que meu corpo e mente não estavam em condições para tal; agora me parece um erro tão de principiante.
Suponho que precisarei de mais um tempo para entender a relevância desse acontecimento. Talvez eu possa encarar o ocorrido como um susto, só para me lembrar de não baixar a guarda novamente — ou aceitar que preciso zerar a placa que diz: “estamos há 0 dias sem deixar os demônios comerem a nossa mente”.
Ando num ritmo bacana de envio de textos por e-mail às terças-feiras. Como na semana passada enviei aquele do meu aniversário de 2 anos atrás, estava cogitando essa semana enviar o do ano passado e, na semana que vem, com as minhas reflexões do aniversário desse ano. Acho que perdeu um pouco o sentido fazer isso (após o acontecimento acima) e, por pouco, não quebrei essa ofensiva de envio semanal. Vamos ver como eu me sinto nos próximos dias.
Ah, desculpa a todos que se sentiram enganados semana passada por eu ter deixado o disclaimer que o texto era de dois anos atrás apenas no final e não antes!
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