Desafiador início de 2021

Desafiador início de 2021

Estamos no nono dia do tão aguardado 2021 e eu já posso dizer que esse é de longe um dos inícios de ano mais difíceis que já vivi, para não dizer com toda certeza que é o mais difícil – ok, vamos trocar difícil por desafiador.

Afinal, lembro que o início de 2007 foi difícil – não, nesse caso não foi desafiador, foi difícil mesmo -, pois eu tinha sido reprovado no primeiro ano do ensino médio – o que para um ex-nerd-cdf-whatever era a maior tragédia que poderia acontecer a um estudante.

O início de 2010 também foi difícil (não desafiador, novamente) pois foi uma época em que eu, depressivo suicida em potencial cheio de vícios e fugas de escape da realidade, tive que abandonar uma bolsa de estudos 100% por não ter dinheiro para me sustentar vivendo sozinho em outra cidade, o que me dilacerou internamente e se transformou em motor para eu viver aquele ano como um vagabundo hedonista ao extremo.

O início de 2014 também foi difícil, peraê, aqui eu posso dizer desafiador. Já na cidade grande, já vivendo meu processo de realização de sonhos atrasados, mas ainda pobre miserável e, especificamente nesse momento, voltando com o rabo entre as pernas para os braços solidários de quem podia me ajudar cedendo um teto sobre a cabeça e um prato de comida sobre a mesa, pela segunda vez, após uma ruptura da república que eu morava no ano anterior.

Não consigo lembrar dos janeiros seguintes com maus olhos. Até mesmo 2020, eita anozin feladaputa, começou quase como se fosse um conto de fadas e, a felicidade que eu vivia naqueles primeiros dias do ano, queria poder reviver em sua plenitude sempre que possível – o que não é e nunca será.

Aí chegamos a 2021. Difícil? Não, desafiador… Tô tentando forçar a troca de palavras para não potencializar ainda mais o poder negativo dos meus pensamentos, dessa cabeça traidora e inimiga de mim mesmo que possuo.

Em meio ao período mais turbulento e que mais precisaria de mim, agora que tenho meu próprio negócio, tive que repentinamente viajar as 12 horas que separam Arraial do Cabo de São Paulo para cuidar de sérios problemas pessoais que eu adoraria desabafar sobre, mas não posso.

A vontade é de botar pra fora e escrever tudo, sentir que toda ansiedade do meu corpo e medo do futuro que estou vivendo nesse exato momento se dissipasse enquanto converto minhas emoções em uma série de palavras que servem para nada mais além disso – uma vez que eu sei que para quem lê continua sendo uma incógnita a porra toda sobre as quais escrevo.

É sábado e estou tão exausto dessa primeira semana de volta a São Paulo – que eu amo, mas onde indiscutivelmente eu não deveria estar enquanto tenho um início de negócio em seu momento turbulento em outro estado. Porém, não há nada que eu possa fazer, nada. Tudo que eu poderia fazer para solucionar os sérios problemas pessoais que estou enfrentando no momento já foi feito, e acredito que consegui bolar um bom plano, além de executá-lo rapidamente dentro das minhas possibilidades. Não tenho o que fazer além de esperar até segunda-feira, quando terei novas informações e poderei pensar a respeito sobre como será a segunda fase de solução dos problemas.

Enquanto isso, poderia estar trabalhando a distância para amenizar as dores dos que estão me cobrindo – e salvando! – a mais de 600km de onde estou. Contudo, botar a caixola pra funcionar e os dedos para digitar em cima de dos negócios e táticas para o curto e médio prazo se parecem como atravessar o oceano a nado sem ter os braços e acho que por isso que me cedi algumas horas para lavar a louça, dar uma limpada no ambiente e sentar com o notebook no colo para simplesmente escrever mais um diário de bordo, tal qual eu tivesse 8 anos e escrevesse para o meu querido diário – coincidentemente, o aleatório do spotify acabou de colocar creep do Radiohead para tocar enquanto eu falo isso para mim mesmo, o que eu julgo um momento muito weirdo e só não é a música perfeita para este momento porque tudo o que eu menos preciso é me tornar uma pessoa mais depressiva.

Enfim, temos aqui mais um expurgamento de algumas das dores nesse blog pouco frequentado – o qual, inclusive, acabei de decidir por matar toda a temática anterior (planejada para incluir uma série de projetos artísticos e fotográficos) para torná-lo o mais simples possível, cabendo apenas o essencial do que posso atender a mim mesmo – as palavras.

Como não tenho “colheres” suficientes (vide teoria da colher citado no livro alucinadamente feliz) para postar nas redes sociais, tenho pavor momentâneo de ter que responder as mensagens que recebo quando publico um story e estou foragido do twitter (que costumava ser meu lugar favorito para desabafar e falar merda) por não ter coragem de responder alegremente qualquer tipo de mention, me parece ser aqui o, cosmoliko, um bom lugar para depositar meus pensamentos aleatórios sobre viver essa vida que especialmente em 2021 já está marcada como um dos inícios de ano mais difíceis desafiadores que já vivi até o momento.